Publicado por: Administrador | 2 maio, 2008

Espiritualidade Brasileira

Quando pensei em escrever este post não sabia da existência de um novo livro com um  título parecido, O melhor da espiritualidade brasileira, é interessante que justamente neste momento mais pessoas, mais brasileiros, estão pensando e reconsiderando nossa tradição. 

É preciso fazer justiça e dizer que não é a nossa geração sozinha responsável por isto, as gerações anteriores, sobretudo a geração de nossos pais teve um papel fundamental na forma de ver a igreja contemporânea.  

Me refiro aos Vencedores por Cristo, ao Janires e o Rebanhão, aquelas músicas que meus pais cantavam na minha infância, como “é manhã pescador”, João Alexandre, Guilherme Kerr, etc.

Mas mais ainda que música, me refiro ao próprio pensamento, aos pensadores, aos pastores, aos teólogos, etc, como disse Ricardo Gondim em sua carta desabafo,“…estou cansado de exemplos tirados de jogos de golfe ou beisebol ! ”; Ele próprio, Ed Renné, Caio Fábio, entre tantos outros brasileiros são exemplos disto.

Me lembro de um livro que o Sandro Baggio me emprestou, “Contextualização” ele mostrava como o cristianismo havia nascido na cultura judaica, crescido na cultura grega, se desenvolvido na cultura latina (romana), e como a reforma  protestante lhe deu uma cultura germânica, os avivamentos a cultura anglo-americana, e que depois de tudo isso chegou a nós brasileiros entre outros povos.  

Uma passagem engraçada era a dos missionários evangelizando os nativos americanos, e estes fazendo confusão com o nascimento de Cristo e o papai Noel, achando que os missionários adoravam a árvore de natal porque ficavam horas enfeitando-a, ou as cadeiras porque oravam de joelhos apoiados sobre elas, rs.

Em uma recente entrevista ao missionário e antropólogo Don Richardson, perguntaram o que ele teria feito de diferente com a experiência que tem hoje, Don respondeu que não teria ensinado hinos evangélicos às tribos, porque não fazia parte da cultura deles. Ele os havia colonizado !

Quero tratar aqui da nossa bagagem cultural evangélica, a cultura anglo-americana que adotamos, as músicas, os instrumentos, os rituais, a própria forma de se reunir…temos uma cultura rica fruto da miscigenação dos povos que formam a nação brasileira, temos uma musicalidade nata, temos um jeito diferente, brasileiro de fazer as coisas, não o “jeitinho” no sentido pejorativa, mas um modo de nos reunirmos de maneira mais informal, descontraída, de demonstrar afeto livremente.

E isto que é tão peculiar nosso, tem sido apagado por uma liturgia fria, sem vida, enlatada, “importada sem tropicalização”, servida a nós como se fosse a única forma de adoração aceita por Deus.

Este quadro tem mudado é verdade, nos últimos tempos temos mais liberdade, mas ainda temos uma mentalidade colonizada, e precisamos nos libertar para que a multiforme graça de Deus se manifeste em nós e para que tenhamos a consciência de anunciarmos as boas novas sem colonizar as pessoas e impor nossa cultura evangélica como única aceita por Deus.

Retirado de:http://opiniaoespiritualidade.wordpress.com

Que Deus abençoe a todos.


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